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Nature e Science dão destaque à FAPESP

18 junho, 2010

A ciência brasileira é destaque em duas das mais importantes revistas científicas do mundo. Enquanto o programa Biota-FAPESP tem o balanço de seus primeiros anos publicado na Science, a Nature salienta o potencial do setor no país na próxima década. Em reportagem, a revista inglesa descreve como, à medida que o “presidente Lula se prepara para deixar o cargo, pesquisadores esperam que a inovação revigore a economia [do país]”. A reportagem da Nature acompanhou a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, realizada no fim de maio em Brasília.
“A conferência representou a primeira vez que aqueles que estão no centro da ciência e aqueles que estão indiretamente envolvidos foram reunidos e isso em um momento em que as coisas estão realmente decolando”, disse à revista o diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz.
A reportagem conta que o resultado da conferência será um documento, a ser enviado aos candidatos à Presidência da República, que descreverá as áreas consideradas mais importantes para a pesquisa científica no país na próxima década.
O texto comenta a “sólida fundação” no país que permitirá a realização de tais políticas e destaca o papel do Estado de São Paulo e da FAPESP nesse cenário.
Cita também, como exemplo da força da ciência brasileira, o sequenciamento da bactéria Xylella fastidiosa, agente patogênico que causava prejuízos milionários à cultura de cítricos, concluído em 2000. Utilizando softwares de sequenciamento genético com base na internet, o projeto, financiado pelo Programa Genoma-FAPESP, correspondeu também à introdução da bioinformática no Brasil.
“A ciência está indo bem no nível estadual, que fornece uma fonte importante de financiamento público, embora os esforços para estimular a ciência não sejam uniformes. Muitos estados procuram se basear em São Paulo, que tem a tradição científica mais forte”, afirmou a Nature.
“Há um artigo da Constituição de São Paulo de 1947 segundo o qual 1% de toda a receita tributária do Estado seja destinada à pesquisa científica. Possivelmente nenhuma outra agência de fomento à pesquisa no mundo tem esse tipo de segurança e autonomia financeira [do governo federal”, disse Brito Cruz à revista.
Leia a reportagem em:
O artigo Biodiversity Conservation Research, Training, and Policy in São Paulo, de Carlos A. Joly e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org. 
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Genes do Vitiligo

Artigo publicado no site da revista Nature Genetics revela que o vitiligo está associado com mutações em genes que atuam no sistema imunológico humano.
No artigo, os pesquisadores descrevem como descobriram variações em dez genes associados com a resposta imunológica em pessoas com o problema. Os genes integram a família Fox, conhecida por regular a expressão gênica e a funcionalidade em linfócitos T e em outras células envolvidas na defesa contra infecções.
Os pesquisadores, liderados por Richard Spritz, diretor do Programa de Genética Médica Humana da Universidade do Colorado, identificaram os genes que aumentam o risco de desenvolvimento do vitiligo ao estudar os genomas de mais de 1,5 mil portadores da doença e compará-los com os genomas de outros que não tem o problema.
Normalmente, uma resposta imunológica é algo positivo, mas no caso do vitiligo as células que protegem o organismo aparentemente se tornam muito agressivas. Elas acabam destruindo células responsáveis pela produção de pigmentos, os melanócitos, que dão coloração à pele.
A pesquisa reforça a teoria de que há múltiplos caminhos celulares que podem contribuir para a manifestação e a progressão do vitiligo. Segundo os autores, isso torna mais complexo conseguir uma compreensão completa da doença, mas, ao mesmo tempo, oferece uma grande variedade de pontos de partida para o desenvolvimento de terapias.
“O vitiligo generalizado é um distúrbio complexo que envolve não apenas genética ou o ambiente, mas uma combinação de fatores. À medida que estudarmos os caminhos envolvidos, poderemos começar a encontrar maneiras de interrompê-los”, disse Margaret Wallace, da Universidade da Flórida, um dos autores do estudo.
“Esse avanço poderá representar uma oportunidade de pôr em prática uma medicina personalizada, na qual terapias são desenvolvidas especialmente para pessoas com suscetibilidades genéticas específicas”, afirmou.
O vitiligo afeta entre 1 milhão e 2 milhões de pessoas nos Estados Unidos, de acordo com o Instituto Nacional de Artrite e Doenças Músculoesqueléticas e da Pele. Alguns portadores da doença têm mais propensão à manifestação de outras doenças autoimunes.
O artigo Common variants in FOXP1 are associated with generalized vitiligo (doi:10.1038/ng.602), de Richard Spritz e outros, pode ser lido por assinantes da Nature Genetics em www.nature.com/ng.

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Células-Tronco Pluripotentes Induzidas

07 junho, 2010

Novo fator que influencia na reprogramação de células adultas para a geração de células-tronco pluripotentes – que são capazes de se diferenciar em outros tecidos do corpo, como ocorre com as células-tronco embrionárias, mas sem a destruição de embriões.
Realizado por pesquisadores do Centro de Terapia Celular (CTC) – um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP – e do Instituto de Biociências (IB) da Universidade de São Paulo (USP), o estudo gerou o primeiro artigo científico feito no país sobre células-tronco pluripotentes induzidas (IPS, na sigla em inglês).
Os resultados foram publicados na última quarta-feira (2/6), na edição on-line da revista Stem Cells and Development, e em breve sairão na edição impressa.
As IPS são artificialmente derivadas de células somáticas reprogramadas por meio da introdução de determinados genes. A técnica foi desenvolvida em 2006 por um grupo coordenado por Shinya Yamanaka, da Universidade de Kyoto, no Japão.
Desde então, os cientistas têm utilizado, para a reprogramação, quatro genes ligados ao processo de especialização das células, que são introduzidos em fibroblastos (células do tecido conjuntivo) com a ajuda de retrovírus.
O grupo brasileiro conseguiu “forçar” a reprogramação utilizando um novo gene, conhecido como TCL-1A. De acordo com o primeiro autor do artigo, Dimas Tadeu Covas, coordenador de transferência do CTC e diretor-presidente da Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto, a descoberta de mais um fator que influencia a reprogramação das células-tronco contribui para a compreensão do mecanismo que leva à pluripotência.
“Ainda não se conhece inteiramente o mecanismo e é importante que um grupo brasileiro tenha dado essa contribuição. O estudo não é uma repetição do esquema tradicional, com o uso dos quatro genes, mas faz uma nova combinação de fatores de transcrição – o fator TCL-1A ainda não havia sido descrito. É importante também por ser a primeira publicação brasileira sobre IPS”, disse à Agência FAPESP.
Outra diferença em relação ao trabalho do grupo japonês, realizado em 2006, segundo Covas, é que não se trata de uma reprogramação integral, mas apenas parcial. “O mais importante é que a reprogramação não levou à formação, nos camundongos, de um teratoma – um tumor embrionário que surge frequentemente quando trabalhamos com células-tronco embrionárias”, disse.
Os fatores de transcrição utilizados até agora para a reprogramação de células somáticas, transformando-as em pluripotenciais, eram os genes OCT4, SOX2, KLF4 e C-MYC.
O grupo brasileiro utilizou uma nova combinação, que acrescenta o TCL-1A ao C-MYC e ao SOX2. Segundo o estudo, as células geradas com a ajuda desses três fatores são semelhantes às células-tronco embrionárias humanas em termos de morfologia, capacidade de diferenciação em células de três camadas embrionárias e em relação ao nível de expressão genética global.
Células em quantidade
Segundo Covas, as IPS serão extremamente úteis para a compreensão dos mecanismos de reprogramação e para, no futuro, permitir o desenvolvimento de terapias celulares inovadoras.
“Atualmente, a grande esperança é que as IPS possam exercer um papel importante na chamada medicina regenerativa. A razão para isso é que, ao utilizar células do próprio paciente e reprogramá-las, temos certeza de que elas serão compatíveis com o seu organismo”, afirmou.
Outra vantagem, além da compatibilidade com o paciente, é que a técnica deverá permitir a obtenção de grandes quantidades de células, já que elas são reproduzidas em cultura.
“Além disso, elas podem não ser teratogênicas, o que é um grande problema com as células embrionárias. Neste momento, outros grupos estão utilizando as células IPS em modelos experimentais para vários tipos de doenças. É um campo novo, cujo primeiro trabalho foi lançado há quatro anos, mas que tem evoluído de forma muito vigorosa”, disse Covas.
O artigo Pluripotent reprogramming of fibroblasts by lentiviral-mediated insertion of SOX2, C-MYC and TCL-1A, de Dimas Covas e outros, pode ser lido por assinantes da Stem Cells and Development em www.liebertpub.com/SCD.

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Green Fluorescent Protein e o Nobel

06 junho, 2010

A proteína fluorescente verde (GFP, em inglês) foi desenvolvida graças ao trabalho de três cientistas, que atuaram independentemente.Graças a ela é possível observar em tempo real o que ocorre no núcleo de uma célula durante uma divisão celular, localizar proteínas específicas, saber quais genes estão envolvidos em determinadas funções e ainda identificar mutações celulares, entre outras funções.
Osamu Shimamura, Roger Yonshien Tsien e Martin Chalfie foram agraciados com o prêmio Nobel de Química de 2008 pelo desenvolvimento do marcador biológico. O norte-americano Chalfie, professor do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Columbia, contou como foi esse trabalho na conferência de abertura da 33ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química, no sábado (29/5), em Águas de Lindoia.
A GFP de laboratório nasceu com as pesquisas de Shimamura no Laboratório de Biologia Marinha de Woods Hole. O pesquisador japonês, radicado em Seattle, na costa oeste dos Estados Unidos, dedicou-se a estudar a bioluminescência da Aequorea victoria, espécie de água-viva presente no norte do Pacífico.
Após tentativas infrutíferas de isolar a substância que fazia o animal brilhar, Shimamura jogou parte de seus experimentos na pia do laboratório, que estava cheia de água do mar. Para a sua surpresa, quando apagou as luzes do laboratório no fim do expediente, observou surpreso uma luz azul emitida por aquele material.
Shimamura imaginou que a reação fora provocada por uma certa quantidade de cálcio presente na água. Foi a pista de que precisava para isolar a GFP e descobrir que ela não dependia de outra proteína para brilhar. Sozinha, ela é capaz de emitir uma luz esverdeada, a qual lhe rendeu o nome.
Chalfie, por sua vez, estava empenhado em identificar genes envolvidos no sentido do tato. Para isso, dissecava nematoides. Ao ouvir falar da GFP, viu a possibilidade de empregar a proteína nesses estudos.
Os resultados superaram as expectativas. A GFP mostrou-se eficaz na identificação gênica. Pela primeira vez, era possível observar em tempo real atividades celulares específicas, como expressões gênicas, dentro de um organismo vivo.
E não somente isso. Por meio da aplicação do marcador biológico também foi possível observar o transporte de sinais nervosos, a divisão do núcleo de uma célula, localizar outras proteínas e observar mutações celulares, entre muitas outras aplicações.
“Há um infindável número de utilidades para a GFP,” disse Chalfie, destacando que mais de 3 mil artigos já foram publicados sobre utilizações da proteína. O nematoide transparente utilizado na pesquisa da equipe do cientista ganhou a capa da edição de número 269 da revista Science, publicada em 1994.
“As vantagens da GFP a tornam especial: é praticamente não-invasiva, é visível em organismos vivos e é uma molécula pequena”, explicou. Essa última característica permite que a proteína atue em praticamente qualquer estrutura celular ou molecular.
Os trabalhos da equipe de Chalfie foram aprimorados por Tsien, do Instituto de Medicina Howard Hughes da Universidade da Califórnia, que desenvolveu métodos que atribuíram novas cores à GFP. A paleta multicolorida da proteína fosforescente sofisticou as análises, permitindo que estruturas ou moléculas diferentes pudessem ser acompanhadas simultaneamente.
O avanço que a GFP representou para estudos de fisiologia e biologia molecular rendeu aos três o Nobel. Para Chalfie, essa experiência mostra que a pesquisa básica é fundamental para o progresso não só do conhecimento como também das ciências aplicadas. “A pesquisa básica é o motor da inovação e leva a novos insights”, disse.
Do mesmo modo, a biologia não pode se ater ao estudo dos animais modelo, segundo o cientista. "Todos os seres vivos devem ser estudados. Se não fosse aquela água-viva, nada disso teria acontecido,” ponderou.
A inovação científica e tecnológica também está relacionada à participação de estudantes nas pesquisas, de acordo com Chalfie, que destacou que os doutorandos, mestrandos e pós-doutorandos são os grandes inovadores nos laboratórios.
Para isso, o professor da Universidade de Columbia defende maior iniciativa por parte desses estudantes. Ao ser questionado sobre como seleciona profissionais para trabalhar em seu laboratório, Chalfie disse discordar do modelo em que o estudante envia um e-mail com currículo e cartas de apresentação.
“Gostaria que o candidato descrevesse o projeto que tem em mente e que gostaria de desenvolver no laboratório. Isso garantiria um grau de realização maior do profissional", disse.
“Caso o trabalho ganhe destaque, o estudante terá a certeza de que foi fruto de uma ideia dele e não de um projeto do pesquisador principal que ele executou”, afirmou. 

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