Relação Genética entre Parkinson e Sistema Imune

25 Agosto, 2010

Pesquisa revela que a doença de Parkinson pode ter origem infecciosa ou autoimune. A novidade foi publicada na revista Nature Genetics (15/8).

O estudo identificou uma relação genética entre o sistema imunológico e a doença progressiva e incurável. Os pesquisadores examinaram mais de 2 mil pacientes com Parkinson em quatro estados norte-americanos e outros 2 mil voluntários sem a doença.

Foram avaliados fatores clínicos, genéticos e ambientais que poderiam contribuir para o desenvolvimento e a progressão da doença e de suas complicações. Alguns foram acompanhados por quase 20 anos.

“Durante o tempo da pesquisa, encontramos pistas sutis de que a função imune poderia estar ligada ao Parkinson. Agora, temos evidência muito convincente disso e uma ideia bem definida de quais partes do sistema imunológico podem estar envolvidos”, disse Cyrus Zabetian, professor da Universidade de Washington, um dos autores da pesquisa.

Os pesquisadores descobriram uma nova associação da doença com a região HLA (sigla em inglês para “antígenos leucocitários humanos”), que contém um grande número de genes relacionados à função imunológica em humanos.

Os genes HLA são essenciais para o reconhecimento de invasores nos tecidos do corpo. Mas o funcionamento não é sempre perfeito, uma vez que os genes variam muito de pessoa a pessoa.

Certas variantes dos HLA estão associadas com um aumento no risco ou na proteção contra doenças infecciosas, enquanto outras podem induzir distúrbios nos quais o sistema imunológico ataca tecidos do próprio corpo.

Esclerose múltipla, uma doença neurológica causada pela autoimunidade, também está associada com os HLA. O estudo observou que a variante genética associada com a doença de Parkinson está na mesma região que a ligada à esclerose.

De acordo com a pesquisa, investigar a conexão entre Parkinson e inflamações, especialmente no contexto da um marcador genético variável, pode levar ao desenvolvimento de medicamentos melhores e mais seletivos para o tratamento da doença.

O artigo Common genetic variation in the HLA region is associated with late-onset sporadic Parkinson's disease (doi:10.1038/ng.642), de Haydeh Payami e outros, pode ser lido por assinantes da Nature Genetics em www.nature.com/ng.

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Genes Afetados pela Vitamina D

Resultados publicados na revista Genome Research, relacionaram pontos nos quais a vitamina D interage com o DNA e identificaram mais de 200 genes que são influenciados diretamente pela vitamina.

De acordo com o estudo, estima-se que 1 bilhão de pessoas no mundo tenham carência de vitamina D, devido a fatores como insuficiência de exposição ao sol ou uma dieta pobre em nutrientes.

Além de ser conhecida como fator de risco para o desenvolvimento de raquitismo, há evidências de que a falta de vitamina D também estaria relacionada ao aumento da suscetibilidade a condições como esclerose múltipla, artrite reumatoide e diabetes, bem como demência e alguns tipos de câncer.

No novo estudo, feito no Reino Unido, os cientistas utilizaram tecnologia de sequenciamento genético para criar um mapa das ligações dos receptores de vitamina D pelo genoma. Esse receptor é uma proteína ativada pela própria vitamina, que, por sua vez, liga-se ao DNA e influencia quais proteínas são feitas a partir do código genético.

Os pesquisadores identificaram 2.776 pontos de ligação para o receptor por toda a extensão do genoma humano e verificaram que esses locais estão concentrados anormalmente próximos a genes associados a suscetibilidade a problemas no sistema imunológico.

O trabalho também mostrou que a vitamina D tem um efeito importante na atividade de 229 genes, entre os quais o IRF8, que já foi associado com esclerose múltipla, e o PTPN2, ligado a diabetes do tipo 1 e com a doença de Crohn, que atinge o intestino.

“O estudo mostra dramaticamente a ampla influência que a vitamina D tem sobre nossa saúde”, disse Andreas Heger, da Universidade de Oxford, um dos autores da pesquisa.

O artigo A ChIP-seq defined genome-wide map of vitamin D receptor binding: associations with disease and evolution (doi/10.1073/pnas.1000948107), de Sreeram Ramagopalan e outros, pode ser ligo por assinantes da Genome Research em http://genome.cshlp.org

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Novo Centro de Pesquisa e Ensino em Câncer

05 Agosto, 2010

O novo Centro Internacional de Pesquisa e Ensino (Cipe) em Oncologia do Hospital A.C. Camargo deverá mudar os paradigmas de pesquisa na instituição e dará novo fôlego para os estudos sobre câncer no Brasil, de acordo com o diretor da Pós-Graduação do hospital, Fernando Soares.
A inauguração oficial do novo centro será nesta quinta-feira (5/8), integrada à programação do 3º Encontro de Patologia Investigativa e da 13ª Jornada Internacional de Patologia do Hospital A.C. Camargo. Os eventos são coordenados por Soares.
“O Cipe, para nós, é um grande sonho realizado. Somos um hospital de uma fundação privada com uma área de pesquisa em constante expansão. Com um investimento dessas dimensões, nossos estudantes agora têm à disposição um lugar adequado com todas as plataformas necessárias para a realização de pesquisa de ponta”, disse à Agência FAPESP.
Segundo Soares, o A.C. Camargo é o único hospital privado do Brasil com cursos de pós-graduação stricto sensu reconhecidos pela Capes. Mas o novo centro representa uma grande mudança completa na pesquisa da instituição.
“Tínhamos laboratórios de pequenas dimensões fazendo grande esforço para realizar pesquisa. Esses laboratórios foram redesenhados e transferidos para o Cipe. Agora, temos um centro com core facilities, plataformas bem desenvolvidas e organizadas e instalações excelentes para pelo menos 100 estudantes. Será sem dúvida um grande avanço para a nossa pesquisa”, afirmou.
No modelo antigo, cada laboratório dedicado a um tema pontual era dirigido por um professor. O novo centro, ao contrário, atenderá às demandas de todos os pesquisadores e professores, além do corpo clínico do hospital.
O Cipe terá suas pesquisas lideradas por dez cientistas e disponibilizará espaço para uma centena de estudantes, dos cerca de 180 alunos da pós-graduação do hospital. As atividades serão integradas às do Centro Antonio Prudente para Pesquisa e Tratamento do Câncer, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP.
“A concepção do Cipe, com plataformas e ambientes comuns, naturalmente criará uma sinergia entre os pesquisadores, com mais interação e troca de ideias. O centro é um grande avanço para a nossa pós-graduação, assim como para o Cepid”
O Cipe será dirigido por Ricardo Renzo Brentani, presidente da Fundação Antônio Prudente, mantenedora do Hospital A.C.Camargo, e diretor-presidente do Conselho Técnico Administrativo da FAPESP.
“Com recursos do próprio hospital, o Cipe recebeu investimentos de cerca de R$ 14 milhões para sua infraestrutura física. Esse valor não inclui os investimentos em plataformas e equipamentos, que foram financiados por agências de fomento”, explicou Soares.

Patologia translacional
A programação do 3º Encontro de Patologia Investigativa e a 13ª Jornada Internacional de Patologia – que teve início na quarta-feira (4/8), mescla a vertente investigativa da patologia à área diagnóstica e aplicada.
“O objetivo é apresentar os principais avanços da pesquisa básica com foco em suas aplicações. Portanto, trata-se de um evento eminentemente translacional”, disse.
Segundo Soares, uma das novidades da edição de 2010 é uma exposição de trabalhos científicos, integrada à programação do evento por sugestão de assessores da FAPESP. “Mais de 60 trabalhos de alto nível foram julgados por uma comissão ad hoc e estão sendo apresentados durante os eventos”, explicou.
Entre os 11 convidados internacionais que participam do evento, destaca-se Harald zur Hausen, do Centro de Pesquisa em Câncer de Heidelberg, na Alemanha. Em 2008, Hausen foi agraciado com o Prêmio Nobel de Medicina por identificar a relação entre o papilomavírus (HPV) e os tumores como o de colo do útero.
“É importante observar que o professor Hausen não foi convidado apenas por ter sido laureado com um Nobel, mas principalmente porque a contribuição científica que lhe rendeu o prêmio teve relação com o câncer do colo de útero, que é uma doença altamente prevalente no nosso Brasil. Ele foi convidado especificamente pela importância que seu trabalho teve para a mulher brasileira”, disse Soares.
O evento foi aberto com a conferência “Estratégias com base em terapia celular para reparo de isquemia miocárdica”, apresentada por José Eduardo Krieger, professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e diretor do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da FMUSP.
Krieger descreveu os novos tipos de abordagem na pesquisa relacionada aos tecidos do miocárdio lesados após infartos. Segundo ele, ao contrário de outros músculos do corpo, o miocárdio tem pouca capacidade regenerativa.
“A substituição do tecido muscular no coração ainda é um desafio. Há um grande esforço para estudar o uso de células como vetor para essa reconstrução. Uma possibilidade é o uso dos ‘curingas’ biológicos, como as células-tronco embrionárias, ou as células-tronco adultas reprogramadas”, disse.
Segundo Krieger, a engenharia de tecidos tem avançado há algum tempo e, agora, os pesquisadores estão procurando associá-la às abordagens que usam células como vetor. “Trata-se de um problema sério. A mortalidade do paciente com insuficiência cardíaca em fase avançada supera até mesmo a dos pacientes com câncer”, afirmou.
Para intervenções em situações agudas – horas, dias ou semanas após o infarto – os médicos procuram estimular a formação de novos vasos e inibir a morte celular, além de prevenir a expansão cardíaca e limitar a área de necrose. Em um segundo momento, alguns meses após o evento, além de estimular a angiogênese as alternativas são substituir os cardiomiócitos e reconstruir o músculo.
“Em 2001, um artigo na revista Nature demonstrou que a simples injeção de células-tronco provocava melhora nos pacientes. Foi uma revolução e o conceito passou a ser explorado. Mas, dois anos depois, outro artigo na mesma revista mostrava que aquela abordagem era um tanto inocente. De fato, a injeção de células-tronco provocava melhora, mas não pelas razões que se imaginava. Isto é, não havia de fato criação de novos vasos”, disse Krieger.
Atualmente, os pesquisadores estão procurando entender o mecanismo pelo qual a injeção de células-tronco melhora a situação do paciente. “Passamos para um novo patamar terapêutico. Temos muitos desafios pela frente: definir os tipos celulares mais adequados, estabelecer o número de células necessário e identificar rotas de administração e janelas terapêuticas, por exemplo”, disse.

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