Genética do Mieloma Múltiplo

26 Março, 2011

Cientistas acabam de revelar o retrato mais abrangente da genética do mieloma múltiplo, uma forma de câncer que afeta os plasmócitos, células componentes do sangue. A novidade foi publicada na edição desta quinta-feira (24/3) da revista Nature.

A pesquisa envolveu o sequenciamento e análise dos genomas de 38 amostras de câncer e poderá ajudar no desenvolvimento de possíveis terapias para a doença incurável, segundo os autores. A taxa de sobrevivência do mieloma múltiplo após cinco anos é de menos de 40%.

A doença começa na medula óssea, onde plasmócitos, que normalmente produzem anticorpos, tornam-se malignos, atingindo células normais e ossos. Não se sabe a causa da doença, que pode se desenvolver em pessoas sem fatores de risco conhecidos e mesmo sem histórico familiar.

O retrato genômico do mieloma múltiplo revela genes que até então não haviam sido associados com o câncer. “Esses genes, que sofrem mutações frequentemente, não estavam em nossos radares quando pensávamos tanto em mielomas como em cânceres em geral”, disse Todd Golub, diretor do Programa de Câncer do Instituto Broad, nos Estados Unidos, um dos autores do estudo.

Os cientistas também identificaram mutações genéticas múltiplas que interferem nas reações químicas normais em uma célula. Segundo eles, individualmente cada uma dessas mutações é bem incomum e provavelmente continuaria desconhecida se não fosse pela análise de uma grande coleção de amostras.

“Podemos ver que as mutações estão se restringindo a um número limitado de caminhos. Essa é uma boa confirmação da importância de se olhar profundamente para mais de um único tumor de cada vez”, disse Golub.

Mesmo com os avanços nas tecnologias genéticas, sequenciar o genoma completo de um tumor é uma tarefa árdua e que poucos estudos anteriores haviam feito. No novo trabalho, os pesquisadores analisaram 38 portadores de mieloma múltiplo e compararam seus genomas com os genomas de seus tumores.

“Essa pesquisa mostra que há genes que causam câncer e que são totalmente desconhecidos e que certamente serão descobertos por meio dos estudos com as novas técnicas genômicas”, disse Golub.

Todos os dados do projeto serão tornados públicos para que possam ser acessados por qualquer cientista. Os dados estarão no repositório dbGaP (www.ncbi.nlm.nih.gov) e os autores da pesquisa criaram outro serviço na internet, o Multiple Myeloma Genomics Portal (www.broadinstitute.org/mmgp) para dar suporte à análise e visualização dos dados.

O artigo Initial genome sequencing and analysis of multiple myeloma (doi:10.1038/nature09965), de Michael Chapman e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.

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Biologia Molecular da Fecundação

18 Março, 2011

Um mecanismo molecular que ajuda o espermatozoide humano a detectar e chegar até os óvulos está descrito em dois artigos publicados nesta quinta-feira (17/3) no site da revista Nature.

De acordo com a publicação científica, as pesquisas destacam o papel de um inusitado canal de íons e poderá ajudar no desenvolvimento de novas classes de anticoncepcionais não hormonais.

Os estudos independentes foram conduzidos pelo grupo de Yuriy Kirichok, na Universidade da Califórnia em San Francisco, Estados Unidos, e por Benjamin Kaupp, do Center of Advanced European Studies and Research, e colegas.

Células do cúmulos (que envolvem os óvulos) liberam progesterona, que induz o influxo de íons de Ca2+ (cálcio) nos espermatozoides. A progesterona é um hormônio esteróide produzido, a partir da puberdade, pelo corpo lúteo (que também libera estrógeno) e pela placenta durante a gravidez.

O influxo de íons de Ca2+ leva a um aumento na atividade dos espermatozoides e estimula o movimento da célula reprodutiva masculina em direção ao óvulo.

Os novos estudos ajudam a esclarecer os mecanismos desse processo. Os dois grupos demonstraram que a progesterona ativa um canal de cálcio sensitivo ao pH chamado CatSper, o que causa um rápido influxo de íons de cálcio nos espermatozoides.

Como outros hormônios esteroides, a progesterona atua normalmente por meio de um receptor intracelular, mas as novas pesquisas destacam que, nos espermatozoides, o hormônio feminino pode sinalizar por meio de um mecanismo não genômico.

Se a ativação do CatSper é o único efeito da progesterona na sinalização de Ca2+ é algo que futuras pesquisas poderão esclarecer.

Os artigos The CatSper channel mediates progesterone-induced Ca21 influx in human sperm (doi:10.1038/nature09769) e Progesterone activates the principal Ca21 channel of human sperm (doi:10.1038/nature09767) podem ser lidos por assinantes da Nature em www.nature.com.

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