Um consórcio internacional acaba de anunciar o seqüenciamento do genoma do macaco rhesus (Macaca mulatta). A espécie, que divergiu dos ancestrais do homem moderno há cerca de 25 milhões de anos, é agora o terceiro primata com o código genético desvendado. O genoma humano foi seqüenciado em 2001 e o do chimpanzé (Pan troglodytes) – que divergiu dos humanos há 6 milhões de anos – em 2005.
As pesquisas que levaram ao seqüenciamento, realizadas por mais de 170 cientistas em 35 instituições de diversos países, tiveram seus resultados publicados em cinco artigos na edição desta sexta-feira (13/4) da revista Science.
Em linhas gerais, a seqüência do genoma do rhesus coincide com as dos humanos e dos chimpanzés em 97,5%. A semelhança entre os códigos genéticos do chimpanzé e do humano chega a 99%.
Para os cientistas, além de representar uma importante contribuição para pesquisas na área de saúde, o primeiro seqüenciamento de um macaco do velho mundo pode ajudar a compreender melhor o próprio homem.
De acordo com o coordenador da pesquisa, Richard Gibbs, do Centro de Seqüenciamento do Genoma Humano da Escola Baylor de Medicina, nos Estados Unidos, a comparação dos três genomas de primatas será importante para pesquisas em evolução, neurociências, biologia comportamental, fisiologia reprodutiva, endocrinologia e estudos cardiovasculares.
“O genoma do macaco rhesus ajudará a compreender o que foi acrescentado ou apagado na linha evolutiva dos primatas, passando dessa espécie para o chimpanzé e para o humano. Isso é importante para entender o que faz de nós humanos”, afirmou Gibbs.
Os pesquisadores identificaram cerca de 200 genes que mostram evidências de seleção positiva durante a evolução, tornando-os potenciais candidatos para determinar as diferenças entre espécies primatas. Esses genes estão envolvidos com a formação de pêlos, resposta imune, proteínas de membranas e fusão entre ovo e esperma.
Pela abundância de espécimes e pela semelhança genética e fisiológica com os humanos, o macaco rhesus é utilizado freqüentemente na pesquisa biomédica. A espécie é conhecida por seu papel em estudos que determinaram o fator RH e a vacina da poliomielite, além de serem importantes para a pesquisa sobre doenças neurológicas e comportamentais.
Justamente por isso, segundo os artigos, os pesquisadores ficaram surpresos ao descobrir que algumas formas normais das proteínas do macaco são semelhantes às proteínas humanas com patologias. O principal exemplo é a fenilcetonúria, que pode levar a danos cerebrais e retardamento mental em humanos ao causar defeito em uma determinada enzima.
O DNA utilizado para o seqüenciamento do genoma do rhesus foi retirado de uma macaca da Fundação Southwest para Pesquisa Biomédica, de San Antonio, no Texas.
Fontes:
Evolutionary and Biomedical Insights from the Rhesus Macaque Genome
Rhesus Macaque Genome Sequencing and Analysis Consortium, Gibbs et al. Science 13 April 2007: Vol. 316. no. 5822, pp. 222 - 234
Agencia FAPESP
Assuntos
- Alzheimer (3)
- Apoptose (1)
- Autismo (1)
- Bioinformatica e Biologia Computacional (5)
- Biologia Molecular (20)
- Cancer (11)
- Células-Tronco (4)
- Ciência (3)
- Coronavirus (1)
- Diabetes (1)
- Envelhecimento (3)
- Estresse (5)
- Eventos (5)
- Gene (6)
- Genética (10)
- Genoma (7)
- Infertilidade (1)
- Oportunidades (32)
Links
Arquivo
Seguidores
Genoma do macaco rhesus sequenciado
15 abril, 2007Postado por Admin às 20:44
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário